🌎 Quais cidades brasileiras são mais propensas a terremotos? Entenda o mapa das falhas e dos tremores no país
Durante muito tempo se repetiu a frase “no Brasil não tem terremoto”. Hoje sabemos que o país treme, sim — em geral com baixa a moderada magnitude, porque estamos no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas mais ativas do planeta. Ainda assim, falhas geológicas antigas podem se reativar e liberar energia, gerando abalos sentidos por populações locais.
Neste guia, reunimos cidades e áreas frequentemente associadas à sismicidade no Brasil e explicamos por que elas aparecem nos registros.
🪨 Falhas geológicas e terremotos: o essencial
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Falha geológica é uma fratura na rocha com deslocamento relativo entre blocos.
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Quando a energia acumulada vence o atrito na falha, ocorre a ruptura e o terremoto.
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No Brasil, os sismos são intraplaca: resultam de reajustes da crosta em estruturas antigas (zonas de cisalhamento, lineamentos, falhas herdadas).
A percepção de um abalo depende de: magnitude, profundidade, distância ao epicentro, tipo de solo e até andar do prédio.
📍 Cidades e áreas com histórico ou propensão a tremores
1) Salvador (BA)
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Falha de Salvador marca o desnível entre as “cidades alta e baixa” (Elevador Lacerda como ícone urbano).
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Há registros históricos de sismos desde o período colonial (século XVIII).
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Contexto: borda leste do Cráton do São Francisco com estruturas reativadas ao longo do tempo.
2) João Câmara (RN)
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Associada à Falha de Samambaia (dezenas de km).
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Sequência sísmica marcante em 1986 (M ~5,1), com abalos sentidos em grande parte do NE.
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Região segue monitorada por redes do LabSis/UFRN.
3) Cubatão (SP) / Baixada Santista
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Sistema de Falhamento Cubatão integra um conjunto de estruturas que cortam o litoral paulista.
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Embora o risco de eventos grandes seja baixo, a área é geologicamente organizada por falhas.
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Nota: o Estado de São Paulo tem registros sísmicos (diversos microssismos e tremores sentidos em municípios do interior e do litoral).
4) Itacarambi (MG)
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MG é um dos estados com maior número de registros no país.
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Evento de 2007 (M 4,9) em Itacarambi é referência em sismologia brasileira.
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O estado é cortado por vários lineamentos/falhas de grande extensão.
5) Taruacá (AC) / Alto Juruá – fronteira amazônica
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Próxima de epicentros profundos (centenas de km) associados à subducção da placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana.
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Região registrou eventos fortes profundos (M 6+), geralmente sem danos por causa da grande profundidade.
6) Porangatu (GO)
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Zona de Falhas de Porangatu no norte de Goiás.
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Tremor M ~3,7 (2022) sentido na cidade; eventos moderados já foram percebidos até em Brasília em outras ocasiões.
7) Vale do Jaguaribe (CE)
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Área com microssismos recorrentes (M 3–3,4 em 2016).
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Hipótese local: variações de carga hídrica (ex.: infiltração de reservatórios/açudes) podem modular tensões e disparar pequenos eventos.
8) Curitiba (PR) e entorno
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Curitiba está sobre estrutura tectônica regional que também aparece no litoral (ex.: sistema de Cubatão).
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O Sul tem menos falhas mapeadas que NE/SE, mas já houve sismos sentidos no interior do PR (ex.: São Jerônimo da Serra, 2017, ~M5).
🧭 Três chaves para ler o mapa sísmico do Brasil
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Frequência ≠ risco alto: muitos eventos são microssismos (M<3,0) e não causam danos.
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Profundidade importa: abalos profundos (ex.: Acre/Amazônia) se dissipam antes de alcançar a superfície.
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Geologia local: tipo de rocha e falhas herdadas influenciam amplificação e percepção.
🎥 Quer se aprofundar?
Assista no canal Geografia em Pauta:
“Por que o Brasil treme? Falhas antigas, sismos intraplaca e os mitos sobre terremotos no país.”
Fontes de referência para acompanhamento: LabSis/UFRN, RSBR, Centro de Sismologia da USP, Obsis/UnB, além de artigos e reportagens especializadas.




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