🌎 Qual é a máxima magnitude possível para um terremoto? Dá para passar de 9,5?

O maior terremoto já registrado instrumentalmente foi o de Valdívia (Chile), em 1960, com magnitude 9,5. Desde então, nenhum evento superou essa marca — e surge a pergunta: existe um limite físico para a magnitude dos terremotos na Terra?

A resposta curta é: um terremoto maior que 9,5 é teoricamente possível, mas extremamente improvável. Para acontecer, seria preciso romper uma área de falha imensa, muito profunda e comprida, de preferência em uma zona de subducção (onde uma placa mergulha sob outra). Pouquíssimos lugares do planeta reúnem essas condições.


🧠 Magnitude x intensidade — não confunda!

  • Magnitude mede a energia liberada no terremoto (escala logarítmica).

  • Intensidade mede o que as pessoas sentem e os danos observados (varia com distância ao epicentro, tipo de solo, profundidade e até o andar do prédio).


🧩 O que limita o “tamanho” de um terremoto?

  1. Tamanho do plano de falha que rompe
    Quanto maior a área de ruptura (comprimento × largura) e maior o deslocamento entre os blocos, maior a magnitude. As maiores áreas de ruptura conhecidas estão em zonas de subducção.

  2. Profundidade e comportamento das rochas
    Em grandes profundidades, as rochas se tornam quentes e dúcteis (deformam-se sem quebrar). Isso limita a largura efetiva da falha que pode romper de modo frágil.

  3. Segmentação das falhas
    Grandes falhas não rompem “de uma vez só”. Mudanças de litologia, montes submarinos, dobras e geometrias diferentes segmentam a ruptura e freiam o crescimento do terremoto.

  4. Escorregamento (slip)
    Além da área, conta quanto a falha se move. Eventos M~5 podem escorregar centímetros; eventos M~9, dezenas de metros. Mas o slip também encontra limites físicos impostos pelo atrito e pela geometria.


📈 Por que a escala é “explosiva”: logaritmos na prática

A magnitude é logarítmica:

  • +1 unidade ⇒ 10× mais movimento do solo

  • +1 unidade ⇒ ≈32× mais energia liberada

Ou seja, a diferença de energia entre M8 e M9 é colossal (≈32×).
Passar de M9,5 para M9,6 já exige muito aumento de área/escorregamento — incomparavelmente mais difícil do que subir de M5,5 para M5,6.


🔭 Pode existir um M10?

  • Na tectônica “normal” da Terra (sem impactos asteroides, por exemplo), especialistas consideram M~9,5 próximo ao limite superior prático.

  • M10 seria extraordinariamente improvável porque exigiria uma ruptura ainda maior do que qualquer zona de subducção conhecida conseguiria sustentar de uma vez.

  • Em cenários catastróficos raríssimos (ex.: impacto de grande asteroide), poderiam ocorrer sacudidas equivalentes a magnitudes de dois dígitos — mas isso está fora da tectônica cotidiana e muito além de uma expectativa de vida humana.


🧭 Onde tendem a ocorrer os “gigantes”?

Principalmente em zonas de subducção: Chile, Alasca, Japão, Indonésia, Sumatra, Cascádia, etc. São locais com planos de falha extensos, grande taxa de convergência e acúmulo de tensão por longos períodos.


🎥 Quer ir além?

Assista no canal Geografia em Pauta:
“Por que existem terremotos M9? Há limite para a magnitude?” — explico subducção, área de ruptura, slip e logaritmos da magnitude com exemplos visuais.


Fontes e leituras de apoio

  • Materiais didáticos de sismologia (USGS), divulgações científicas e entrevistas com sismólogos(as) mencionadas no texto.

  • Reportagens e conteúdos explicativos enviados pelo leitor (base para esta adaptação).




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog